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Gasto das famílias em medicamentos crescerá 50 porcento até 2020

Segundo estudo da FecomercioSP, gastos com medicamentos cresceram 63% em 2009 em comparação com 2003.

O consumo das famílias, que tem sido a principal alavanca da expansão da economia nacional, deverá chegar a R$ 3,5 trilhões em 2020. Isso significa um salto de 50% em relação aos R$ 2,2 trilhões de 2010, quando as empresas varejistas absorveram R$ 800 bilhões desses gastos e registraram o melhor ano da década. A desaceleração econômica sentida em 2011 não preocupa o varejo, mas o que pode atrapalhar o cenário de forte expansão, segundo estudo que está sendo divulgado hoje pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FecomercioSP), é a volta da inflação e a falta de uma infraestrutura robusta.

O trabalho, de 56 páginas e que levou seis meses para ser feito, avalia as mudanças no padrão de consumo ocorridas entre 2003 e 2009, com base nos dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo estima que existam pouco mais de 57 milhões de famílias no país. O consumo dessa massa de gente, que em 2010 chegou a 61,7% do Produto Interno Bruto (PIB), pode subir a 65,4% daqui a oito anos.

Essas projeções consideram que a expansão do PIB se mantenha na faixa entre 3% e 4% e que não haja uma turbulência séria na economia mundial, com efeitos negativos sobre o país; que a inflação não volte a subir e que os governos invistam em infraestrutura.

O panorama traçado permite concluir que "o Brasil tende a ser tornar um país de classe média. Já temos mais de 100 milhões de pessoas nessa faixa de renda", diz o economista da FecomercioSP, Altamiro Carvalho. "Mas isso é válido se a inflação não voltar", pondera.

Carvalho e seus colegas na FecomercioSP avaliam que o movimento de aumento de renda - que fez com que cerca de 20,5 milhões de pessoas migrassem da base da baixa renda para a classe C na década passada - deva continuar, mas em ritmo menor. A classe média, segundo os critérios da FecomercioSP, reúne as famílias que têm renda mensal entre R$ 1,4 mil e R$ 7 mil.

Fabricantes de produtos de consumo e varejistas estão se adaptando e tentando entender os desdobramentos desse novo padrão de consumo. O estudo da FecomercioSP destaca algumas mudanças interessantes nos gastos das famílias entre 2003 e 2009: enquanto o consumo de carne de boi cresceu 4,2%, o de frango caiu 11,8%; o de azeite de oliva deu um salto de 45,5%, enquanto o de óleo de soja caiu 13,8%.

Despesas em salões de beleza cresceram 44% e em festas, 45%. "A pesquisa mostrou que só em cabeleireiros o consumo é de mais de R$ 1 bilhão por mês", diz Carvalho.

"O que se nota é uma sofisticação, mas nem sempre acompanhada de hábitos saudáveis", diz Carvalho. O fato de o brasileiro estar gastando mais com alimentação fora do lar, de estar comendo mais carne vermelha do que branca, por exemplo, pode ajudar a explicar o aumento de 63% nos gastos com medicamentos.

No campo dos bens de consumo, o estudo prevê que "a evolução se dará na forma de aquisição de produtos grande valor agregado, principalmente em artigos para o lar, automóveis e acessórios pessoais.

Os economistas da Fecomércio não acreditam que o aumento de crédito no país, que ajudou a impulsionar o consumo nos últimos anos, esteja gerando aumento de inadimplência - o que poderia mudar o quadro de crescimento econômico. "No ano passado, a renda subiu e a inadimplência não subiu. O próprio Banco Central informou estabilidade no nível de inadimplência em 2001", diz Carvalho.

O que pode jogar água na fervura do cenário de expansão traçado pelo estudo da Fecomércio é a falta de investimento ou o ritmo lendo de gastos de governos - federal e estaduais - em infra-estrutura. E a avaliação é de que a velocidade atual desse tipo de gasto é insuficiente.

"O PAC [Programa de Aceleração do Crescimento, do governo federal] está engasgado, meio parado", diz Carvalho. Os brasileiros, lembra, querem viajar de avião, ter acesso à internet, "mas há gargalos de estrutura."

As empresas que vendem produtos pela internet também "precisam de rodovias para entregar suas mercadorias. É preciso dar melhores condições logísticas para que o consumo continue crescendo", diz o economista.

Fonte: IDVF

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